Chissano destaca papel decisivo de Luísa Diogo na redução da pobreza e no perdão da dívida

 Chissano destaca papel decisivo de Luísa Diogo na redução da pobreza e no perdão da dívida


O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, enalteceu o contributo determinante de Luísa Diogo para a estabilidade macroeconómica, a reconstrução nacional e a redução da pobreza em Moçambique, sublinhando que o seu legado deve servir de inspiração para as gerações actuais e futuras.


Reagindo ao falecimento da antiga Primeira-Ministra, Chissano recordou que, enquanto Ministra das Finanças, Luísa Diogo esteve directamente envolvida em processos complexos de negociação internacional, com destaque para o perdão da dívida externa no âmbito da Iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados.


Segundo o antigo Chefe do Estado, Moçambique encontrava-se entre os países mais endividados do mundo, tendo sido necessário um intenso diálogo com organizações internacionais e parceiros multilaterais para alcançar o alívio da dívida. “Ela conduziu esse processo com muita mestria, o que lhe valeu a admiração não apenas dos parceiros internacionais, mas também de outros países em situação semelhante, que passaram a ver Moçambique como um exemplo a seguir”, afirmou.


Chissano revelou ainda que a então Ministra das Finanças foi frequentemente procurada por colegas de outros países, interessados em compreender a abordagem moçambicana para alcançar o perdão da dívida, num reconhecimento claro da sua competência técnica e diplomática.


Outro marco destacado foi a concepção e implementação do PARPA – Programa de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta –, um dos principais instrumentos do Governo no período pós-guerra. O programa visava simultaneamente a reconstrução do país e o combate à pobreza extrema, num contexto descrito por Chissano como “catastrófico”.


“Foi um processo que exigiu negociações difíceis com vários parceiros de cooperação, mas que Luísa Diogo soube conduzir de forma brilhante. Como resultado, os índices de pobreza começaram a diminuir”, sublinhou.


Para Joaquim Chissano, o legado deixado por Luísa Diogo impõe uma responsabilidade acrescida aos que permanecem. “Nós, os sobreviventes, saberemos utilizar aquilo que ela construiu, mas devemos também procurar fazer melhor, porque ela procurou sempre superar-se. Não devemos parar onde ela ficou”, afirmou, defendendo a continuidade do diálogo, da criatividade e do compromisso com o desenvolvimento do país.


Luísa Dias Diogo, que exerceu os cargos de Ministra das Finanças e Primeira-Ministra de Moçambique, é lembrada como uma das figuras centrais da governação económica no período de consolidação da paz e de inserção do país na economia internacional.

Fonte:O país 

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